Rua Samba, seis da tarde

Agosto 19, 2009

Todos os dias é a mesma aventura.  Milhares de carros se deslocam pela Samba como tartarugas em direção ao Sul de Angola.

Luanda 2 135

A cidade cresce para o Sul.  Novos bairros residenciais. Condomínios.  Shoppings Centers.  Praias, bares e opções de lazer.

A infra-estrutura viária continua a mesma.  O angolano sofre todos os dias no trânsito.  Duas horas para chegar à cidade.  Duas horas para voltar  à casa.

Os motoristas se aborrecem.  As crianças e os caronas dormitam nos carros com ar refrigerado.  O cidadão comum sacoleja nos ônibus repletos ou nas candongas.  Espremido, encalorado.

Somente os vendedores ambulantes tiram algum proveito dos engarrafamentos.


Mwangolé

Agosto 2, 2009

Os angolanos são lindos. Homens e mulheres. Esguios, altivos, elegantes. Tem um porte distinto ao caminhar à margem do trânsito, pelas ruas e estradas empoeiradas da cidade de Luanda.

Angola 009

A boa figura, no entanto, parece não lhes alimentar a vaidade. Se mostram tímidos e calados. Mesmo que estejam distantes, fogem das câmeras fotográficas. Se escondem e  gesticulam de cara feia quando por acaso percebem que estão sendo fotografados.

Luanda 153

No contato pessoal ,  o angolano cultiva o riso fácil e franco.     É afetivo e cordial.  Fala com calma e com graça  um Português gingado, bem mais parecido com o “brasileiro” do que com o “lusitano”.

Diga-lhes bom dia e eles responderão: obrigado.  Algumas vezes, diante do desconcerto do interlocutor, acrescentarão também: bom dia!

A pele dos angolanos lembra veludo marrom.  A depender da luz, as pessoas parecem feitas de brigadeiro, ou calda de chocolate. Especialmente as crianças.  Lindas.  Olhos brilhantes e cabelos divertidos, trançados com conchas ou contas coloridas.  Ao contrário dos adultos, a criançada briga para ser fotografada.

Pouso Alto e Luanda 212

Andrade, meu guia pelas ruas de Luanda, diz que o Mwangolé tem vergonha de sua condição sócio econômica, por isso, não quer a imagem de sua pobreza captada pelas câmeras dos turistas. Um desejo difícil de ser respeitado por nós estrangeiros. Viajantes ávidos pelo belo e pelo diferente.

E se você ficou em dúvida, Mwangolé é mesmo o angolano.


Cacimbo

Julho 22, 2009

Luanda é bege nesta época do ano.  As pessoas parecem estar envoltas por uma bruma, como se estivessem presas dentro de uma nuvem, ou semi-escondidas por uma cortina de poeira.

Angola 003

No primeiro dia de minha estada, olhei para o céu e pensei que ia chover. O ar estava pesado. O céu carregado. Calor. Sufoco.

De maio a agosto é assim. Tudo meio desfocado. Os angolanos dão o nome de Cacimbo a esta bruma. O mesmo nome que usam para designar a  estação, considerada ”seca”, somente por oposição à estação das chuvas, que vai de setembro a abril.

No período do Cacimbo tudo é úmido e pegajoso. Mas realmente não chove. 

A atmosfera fica bege. Da mesma cor da poeira que cobre as estradas, as calçadas, os carros, as pessoas.  Uma fumaça constante que rouba o brilho das fotografias.  

Luanda 018

Mesmo no bairro nobre do Alvalade, onde se percebe um esforço de arborização, mal se distinguem os contornos das casas e dos edifícios.

A névoa embaça o horizonte, a paisagem, o humor e ofusca a vida nesta cidade.


Outras versões

Julho 14, 2009

Um amigo da Televisão Pública de Angola, a TPA, jura que os coqueiros da Marginal parecem estar secos porque estão em fase de adaptação ao novo terreno. Segundo ele, as palmeiras foram todas plantadas fora de Luanda, num lugar mais úmido. Ao serem transplantadas, perderam suas folhas e ficaram somente com os troncos até a readaptação. Portanto, diz, é só esperar que eles vão voltar a brotar. Pode ser. Teremos que esperar pra ver. Mas se algum biólogo angolano estiver entre os meus milhares de leitores, adoraria uma explicação verdadeiramente científica.

Outro tema de meu post anterior tem uma versão diferente: a guerra teria, sim, chegado a Luanda.

Uma amiga professora, moradora do bairro do Alvalade – um dos melhores da cidade - conta que os homens do Savimbi atacaram várias residências em Luanda, inclusive a dela, que quase foi atingida por um tiro de obuz . Por sorte, naquele dia, ela, marido e filhos, tinham se escondido no porão, tão logo começaram as explosões.

Angola já se recupera de todas essa tragédias. Se o país está em reconstrução, Luanda é um imenso canteiro de obras, que tem arranha-céus despontando a cada esquina.

Vai ficar bonito. Mas é bom que os planejadores cuidem de abrir avenidas e espalhar melhor o centro da cidade.

Angola 030

Se a capital de Angola continuar crescendo só para cima, daqui a pouco tempo, ninguém mais conseguirá se mover nos já quilométricos engarrafamentos.


Luanda dos coqueiros sem copa

Julho 7, 2009

Sempre pensei em Luanda como uma Copacabana mais antiga. Amigos portugueses me diziam que a Marginal – como eles chamam a avenida beira mar – com seus coqueiros e a vista da baía lembra a “princezinha do mar”, só que sem as areias onde as cariocas desfilam seus biquínis para deleite dos turistas de todo o mundo.

Luanda não lembra Copacabana.

Para começar, os coqueiros não tem copa. São troncos mutilados, como soldados sem cabeça, que dão ao passante a impressão de imensos palitos espetados na calçada.

Luanda 112

Há controvérsias sobre o que aconteceu aos coqueiros de Luanda. Uma das versões dá conta de que as folhas teriam sido cortadas para possibilitar uma melhor visão da praia por  frentes de batalha opostas.  Estranho, já que a guerra civil que assolou o país por 27 anos depois da independência de Portugal (1975/2002) não teria chegado a Luanda.

Há quem diga que foi uma praga que devorou ou fez apodrecer as copas dos coqueiros. Outros preferem afirmar que foram mesmo cortados, porque a Marginal vai passar por um processo de reurbanização que vai ampliar toda a avenida e criar novos jardins, pistas para bicicletas etc e tal.

Mesmo considerando mais plausível a versão da praga, a visão dos coqueiros sem copa é muito incômoda, especialmente no final da tarde, quando todos aqueles troncos teimam em aparecer nas fotografias para atrapalhar o belíssimo visual do pôr do Sol.

E todos os dias ele se põe avermelhado e magnífico, sobre o que os angolanos chamam a “praia”, mas que na verdade é uma península, do outro lado da baía.

por do Sol na praia


Brasília em agosto

Agosto 12, 2008

Adoro Brasília. Ao contrário de todas as pessoas que conheço fora do Planalto Central. Uma amiga me enviou um texto que é o retrato da cidade nesta época do ano. Não resisti e decidi publicá-lo aqui, para desfrute dos meus milhares de leitores.

Brasília em agosto, por Conceição Freitas

Brasília de agosto não é pra qualquer um. Pra ser brasiliense do peito, é preciso ter o fôlego e a resistência dos povos do deserto pra enfrentar o sol de agosto sem perder a suavidade. Pra sair de casa antes do sol nascer e cobrir os sapatos com saco plástico pra conseguir mantê-los razoavelmente limpos e lustrados até chegar no trabalho. Pra esperar o ônibus em pontos de ônibus desmazelados, pra atravessar as longas vias e os imensos canteiros sem uma árvore pra nos proteger. Pra enfrentar o sol que tortura nossos olhos.
Brasília de agosto é toalha molhada na cabeceira da cama, é sentir faltar o ar na madrugada, é tomar cerveja e morrer de ressaca por conta da falta de umidade que nos rouba os líquidos. É ter a pele trincada, os pelos ariscos, é saber que não vai chover tão cedo e que não há nada que mude isso. Pouco importa se aqui é a sede do Executivo, do Legislativo, do Judiciário, das maracutaias, dos lobbies, dos grampos, dos interesses escusos, dos poderosos em geral.
Se é cidade planejada, se é patrimônio da humanidade. Nada disso muda o clima. Estamos todos subjugados à secura, inapelavelmente.
Brasília de agosto é de uma beleza avassaladora que existe, graças aos céus, para além das miudezas dos homens. É uma cidade transparente, reluzente e desnuda. Brasília de agosto não guarda segredo de ninguém, expõe as tripas de todos nós, nos deixa nus de alma sob o sol invasivo e impudico. Não tente ser melancólico em agosto em Brasília porque não vai encontrar nenhum lugarzinho pra se esconder da devassa. Ninguém consegue se esconder sob o céu devastador de Brasília.
É linda a Brasília de agosto. As árvores nuas de folhas e de frutos, galhos desenhando uma arquitetura ao mesmo tempo limpa e intrincada.
Caliandras esplendorosamente vermelhas brotando na secura improvável. Ipês estourando de amarelo, paineiras fazendo colchões de paina no chão. Lacerdinhas enroscando a poeira do chão ao mais alto do céu.
Nenhuma sombra, nenhum esconderijo, nenhum descanso. Brasília de agosto é a alma escancarada.
Uma fagulha que seja se transforma num grande incêndio. Brasília de agosto entra em combustão, explode, venta raivosamente, grita, esperneia, mostra que não há poder maior que o seu. Avisa que todo e qualquer outro poder que aqui se instala e nos ilude é vão diante da força da natureza que é Brasília no período de seca.
Brasília de agosto entra em setembro, se banha de cinza, nos suja de poeira, faz a gente pedir perdão para os crimes que cometemos, os que não cometemos e os que ainda vamos cometer. Brasília de agosto nventa
uma nova dimensão. Expande o espaço físico, faz a arquitetura moderna dançar aos nossos olhos. Deixa o asfalto ondulante, a grama amarela, quase raivosa, as árvores arredias e os homens espantados diante de
tanta força da natureza.
Portanto, fujam os medrosos porque em agosto Brasília não perdoa os hesitantes, os omissos, os titubeantes. Brasília em agosto, com a licença de Euclides da Cunha, é para os fortes.


Livros e mais livros

Maio 21, 2008

Os livros de que mais gosto estão em branco. São aquelas cadernetas Molesquine de capa preta e elástico, que segundo a propaganda, eram usados por Hemingway, Picasso e alguns outros ícones da literatura ou do desenho mundial. Mas não é só por causa dos Molesquines e outros cadernos ou livros em branco que entro nas livrarias. Quando posso, entro em todas as que vejo. Gosto de olhar o que está em destaque, como as obras são organizadas, quais áreas atraem mais gente. Dou uma espiada nas novidades sobre comunicação e televisão e nos best-sellers que já lí ou que ainda quero ler. Gosto, especialmente, de conhecer as velhas livrarias. Aquelas que são tradição de seu ramo de negócio.

Algumas, como a Livraria Bertrand, de Lisboa, atendem ao público há mais de dois séculos. A loja ao lado, embora com a logomarca modernizada, funciona desde 1732. Ali, no mesmo local, ao pé do largo do Chiado, quase em frente à Cafetaria A Brasileira, por onde circulava Fernando Pessoa. Hoje não circula mais, mas continua lá, imortalizado em bronze.

Outras, fizeram questão de permanecer intactas. Manter tudo como sempre foi e fazer de conta que o tempo não passou, que não mudaram os fregueses e suas necessidades, que ainda se lê como antigamente. Que os livros são a fonte mais importante.

Nessas livrarias, o estoque de livros é apenas um dos itens a levar em consideração. É o passado que funciona como cartão de visitas. O mobiliário, a disposição das estantes, o inusitado da arrumação das obras atraem os visitantes, mesmo que não sejam compradores de livros.

Nesta viagem conheci pelo menos duas livrarias impressionantes.

A primeira, no Porto, lembrou o “cemitério dos livros esquecidos” descrito por Carlos Ruiz Zafón no livro “A Sombra do Vento”. Emocionante homenagem ao poder dos livros. A história se passa na Barcelona franquista, do início do século XX, quando um menino é levado pelo pai a uma biblioteca secreta e labiríntica que funciona como depósito para obras abandonadas pelo mundo. Esquecidas pelos leitores.

A Livraria Lello, se fosse um pouco maior e secreta, seria o próprio cemitério dos livros esquecidos. Confiram nas fotos abaixo.

Só a escada mereceria uma tese de doutorado. Aliás, um ensaio fotográfico sobre a própria casa – com sua inacreditável escada de madeira e piso vermelho – é a obra mais vendida pela livraria Lello. Foi editado em todos os idiomas europeus e custa 20 Euros. Quase 60 Reais.

A outra livraria inusitada que conhecemos é a Livraria Esperança, em Funchal, na Madeira. Único lugar no mundo onde vi os livros expostos um a um. Por todos os lados. Em todas as paredes. Em cada uma das estantes.

O slogan da Livraria Esperança anunciava: uma das maiores livrarias do mundo. Entre e confira. Entramos somente na área de livros infanto-juvenis.

E ficamos boquiabertos.

Está aí o registro do espanto do Fred, para que eu não minta sozinha.


Madeira

Maio 19, 2008

Um pequeno arquipélago de rocha vulcânica no meio do Atlântico Norte. Uma ilha chamada Madeira. Este post contém algumas fotos para vocês terem uma idéia do paraíso onde nos encontramos.

No dia 17 de maio, a Madeira comemorou 500 anos da promoção de sua capital, Funchal, à categoria de cidade.

Linda cidade. Maravilhosa ilha.

 É pura cor, cheiro, sabor.

Estávamos lá e vimos tudo. Os fogos, a festa, a alegria e o som do fado.

 Funchal talvez seja a cidade mais florida que já tenha visto na vida. Vibrante, colorida. Orgulhosa de seu Jardim Botânico, onde se chega de teleférico. Das flores vendidas junto às verduras no mercado do produtor rural. 

Saborosa cidade com seus “bolos do caco”. Ninguém imagina como esse pãozinho pode ser bom. Parece um simples pão de hamburguer, desses industrializados. Mas a massa é uma delícia e o bichinho é servido quentinho, com manteiga e alho.

Chama-se bolo do caco porque antigamente era assado num caco de telha. A tradição se mantém e todos os restaurantes oferecem o bolo do caco. Engordei mais uns três quilos graças a esses inofensivos pãezinhos.

Outra iguaria da Madeira é um marisco chamado lapa. Não é um bivalve, como as ostras, os mexilhões e as vieiras. Ele fica agarrado nas pedras e, de acordo com os profundos conhecimentos do Fred sobre as coisas do mar, deve dar um trabalho danado pra tirar. São servidos assados, com alho e cheiro verde, e podem ser bem acompanhados pelo delicioso vinho da Madeira.

Fizemos uma viagem de ônibus para a pequena aldeia de Ribeira Brava. Viagem não. Foi uma aventura de dar arrepios, como os melhores trillers. As estradas da ilha são construídas nas encostas, assim como as casas, as lavouras, os jardins. Tudo está colocado morro acima. Os ônibus circulam em grande velocidade por aquelas estradinhas fininhas e a gente vê o mar lá embaixo… quase nenhuma encosta, nada nos separa do vazio. E os motoristas não reduzem a velocidade não. Metem a mão na buzina e quem vier em sentido contrário que trate de parar. Pura emoção.

Acaba que o teleférico é mesmo o melhor meio de transporte por aqui.

 

Daqui seguimos para Lisboa. Última etapa de nossa viagem. Estamos muito contentes por ter um teclado em português e por estar num hotel onde podemos publicar fotos. 


Finalmente Barcelona

Maio 12, 2008

Infelizmente, estamos chegando ao final de nossa incrível viagem pela Espanha.

Chegamos a Barcelona no domingo e encontramos a Rambla repleta de turistas. Tenho a sensaçao de que circulam mais turistas pela Rambla em um único dia do que durante todo um mês pelas ruas do Rio de Janeiro. É um formigueiro incrível. Mas mais incrível ainda é o que as pessoas fazem para ganhar a vida por aqui. Tem gente fantasiada de tudo e de qualquer coisa. Vampiros, fadas, príncipes, índios, flores, frutos, robô feito de garrafas pet, enfim, a criatividade é ilimitada.

Ao sair de Andorra, subimos os Pirineus Catalaes, a uma temperatura amena, de mais ou menos três graus. Ficamos o tempo de um delicioso almoço, a 1.800 metros de altitude, no Paso de La Collada de Toses. Comemos um bacalao muito interessante. Aliás, nos intriga como o bacalhau por aqui é macio. Todos dizem que é o mesmo bacalhau que conhecemos, dessalado. Vou comprar um livro de receitas para aprender como se faz, porque é uma delícia.

Chovia muito na descida dos Pirineus. Parece que é a primeira grande chuva na Catalunha nos últimos dois anos. Chegamos a ver reportagens na TV sobre a seca e a sujeira das ruas de Barcelona, por falta de chuva.

Como nao tínhamos hotel em Barcelona, passamos dois dias na cidade de Girona. Uma cidadezinha medieval, 100 quilômetros ao Norte de Barcelona. Foi uma linda experiência. A cidade estava toda decorada com flores, numa iniciativa dos comerciantes locais com a Prefeitura. Havia mais de 50 monumentos e residências particulares do “casco viello” decoradas com arranjos florais, nos mais variados estilos. Fiz muitas fotos, que publicarei quando puder.

Hoje é feriado em Barcelona. A cidade continua cheia e movimentada. Fomos à igreja da Sagrada Família e subimos ao Mont Juic, de teleférico. Uma loucura aquela igreja em obras. Alguns amigos já tinham comentado como é impressionante que ela esteja sendo construída e visitada ao mesmo tempo. Mas eu nao imaginava aquilo tudo. Acho que ainda vai demorar uns 50 anos para ficar pronta. Será que isso acontece em meu tempo de vida? Tomara. É muito emocionante.

Aliás, pensando na velhice e no tempo de vida, acabo de cruzar com um turista na Rambla com um enorme cartaz, em três línguas, dizendo: a velhice é uma merda. E todo mundo ainda acha que somos inúteis. Não posso deixar de pensar que a outra opção é muito pior.

Passeamos também pela Rambla de Mar. Mais uma vez, a água limpa e cristalina nos chama a atenção. O aproveitamento do porto e a preparação do espaço para uso do público nos fez, mais uma vez, pensar na triste Praça XV e no lixo que bóia na baía de Guanabara.

Vejam só a cara do Fred sonhando, diante daquele mar limpo, cheio de robalos, chernes, bacalhaus, sardinhas, linguados, calamares, lulas, polvos, camarões, vieiras…


Ligeira mudança de rota

Maio 8, 2008

Pegamos um vento de popa em San Sebastián, aliás, Donostia, que nos levou direto pra cima dos Pirineus e viemos parar no paraíso da bagulhada, a cidade de Andorra la Vella, no Principado de Andorra.

Nunca vi um lugar mais kitch. Acho que nem o Paraguai consegue ter tantas lojas e tantas marcas. Originais ou genéricas, nao importa muito. Também nao importa qual é a língua que você fala. Fala-se de tudo por aqui. E há portugueses em todos os cantos, especialmente em restaurantes e hotéis. O que importa é quanto você está disposto a gastar. De minha parte, muito pouco…

Pra refrescar os olhos dos letreiros super iluminados desse templo de consumo mundial, peguei meia hora de Internet no hotel. Nao vai dar para contar em detalhes tudo o que vem acontecendo nos últimos dias, nem postar fotos. Aqui também nao se permite.

Mas posso adiantar que os Pirineus sao incríveis e que os vinhos Somontanos, do reinado de Aragón sao quase tao bons quanto os Albariños da Galícia. Especialmente quando acompanhados de um guisado de javali ao molho civet. Pensei que só comeria javali se fosse assado, como nas histórias do Asterix. Descobri que eles fazem mais sucesso na panela do que na parrilha.