Os angolanos são lindos. Homens e mulheres. Esguios, altivos, elegantes. Tem um porte distinto ao caminhar à margem do trânsito, pelas ruas e estradas empoeiradas da cidade de Luanda.

A boa figura, no entanto, parece não lhes alimentar a vaidade. Se mostram tímidos e calados. Mesmo que estejam distantes, fogem das câmeras fotográficas. Se escondem e gesticulam de cara feia quando por acaso percebem que estão sendo fotografados.

No contato pessoal , o angolano cultiva o riso fácil e franco. É afetivo e cordial. Fala com calma e com graça um Português gingado, bem mais parecido com o “brasileiro” do que com o “lusitano”.
Diga-lhes bom dia e eles responderão: obrigado. Algumas vezes, diante do desconcerto do interlocutor, acrescentarão também: bom dia!
A pele dos angolanos lembra veludo marrom. A depender da luz, as pessoas parecem feitas de brigadeiro, ou calda de chocolate. Especialmente as crianças. Lindas. Olhos brilhantes e cabelos divertidos, trançados com conchas ou contas coloridas. Ao contrário dos adultos, a criançada briga para ser fotografada.

Andrade, meu guia pelas ruas de Luanda, diz que o Mwangolé tem vergonha de sua condição sócio econômica, por isso, não quer a imagem de sua pobreza captada pelas câmeras dos turistas. Um desejo difícil de ser respeitado por nós estrangeiros. Viajantes ávidos pelo belo e pelo diferente.
E se você ficou em dúvida, Mwangolé é mesmo o angolano.