Ainda O Porto

abril 25, 2008

Antes mesmo de desembarcar nas “terras cerventinas”, como lembra meu amigo Veras, lemos um artigo na revista da TAP que informava ser época de lampréias na regiao do rio Douro. Uma das razoes de nossa escolha de Portugal e Espanha para estas férias foi experimentar os mais diferentes e famosos peixes e mariscos do mundo. Nos empanturrarmos de tudo o que os mares frios têm a oferecer.

Mas eu tenho que confessar que nunca tinha ouvido falar em lampréias. E também nao sabia que elas  sao do mar…

A curiosidade gastronômica do Frederico nao poderia deixar passar em branco essa iguaria nunca dantes experimentada. E nao dava para esperar nem um dia.

Passamos a percorrer as ruas do Porto, embaixo de chuva, à cata de lampréias.

Nossos estômagos ainda conversavam com o pequeno almoço, com quatro horas de fuso horário à frente, mas a cada tasquinha das calçadas, parávamos nas vitrinas, a olhar os cardápios, para conferir se havia ou nao lampréias.

Finalmente, ao pé do largo do Carmo, encontramos o cartaz na vidraça do Restaurante Romao: HÁ LAMPRÉIA. 

Perguntamos como eram servidas as lampréias e se as porçoes seriam grandes ou deveríamos pedir uma para cada um de nós.

O senhor Romao disse que serviam-se somente duas postitas. Assim sendo, pedimos duas, com arroz branco e o vinho nacional mesmo, porque nao viemos à Península Ibérica beber vinho importado.

A aparência das bichas nao poderia ser mais estranha. Mesmo já preparadas, servidas com o carinho das tasquinhas portuguesas, as tais lampréias mais pareciam pedaços de cobra, em molho escuro, com cara de sangue.

O senhor Romao nos informou que eram preparadas com vinho tinto. Imaginei que, como os polvos e as lulas, as tais lampréias pudessem ter um pouco de tinta, para espantar os inimigos. Também pensei que, como as enguias, pudessem ter aquela aparência de cobra, mas uma carne branca e macia. Tudo isso antes de experimentar a bicha.

Nao sou muito boa em descrever sabores. Costumo, por exemplo, comparar os vinhos frutados a suco de uva, para horror dos entendidos. Tudo o que posso dizer é que a tal lampréia tem gosto de terra e sangue, temperada com louro e uma pitada de pimenta.

Comi uma posta. O Fred comeu duas, para honrar a experiência.

Hoje descobri que as lampréias sao verdadeiros fósseis vivos. Comi um bicho que habita o planeta há 420 milhoes de anos. Deve ser por isso que nao gostei. Deviam estar meio passadas.

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7 Respostas to “Ainda O Porto”

  1. Marcus Veras Says:

    Fiquei aqui pensando se as lampréias não teriam algum parentesco com as mocréias. Ambas são meio difíceis de se comer…


  2. O visual do prato, para qualquer paraense, tem aparência de açaí com peixe salgado. Em Belém e na região próxima ao mar, comem bem açaí puro com farinha, peixe e camarão seco. ;)) Voltarei aqui curiosa pelas curiosidades da viagem 😉

  3. Noemi Says:

    Pela cara do prato… é no mínimo estranho! Parecia mais peixe com feijão preto! Rs… Um beijo grande para você e o Frederico, divirtam-se bastante e deixem-nos informados da viagem, inclusive com fotinhas!

  4. Adriane Says:

    Que idéia cozinhar chanceler brasileiro! rsrs Aproveitem bem os frutos do mar que na volta faremos uma bela polenta com linguiça para recebê-los! Ah, valeu pelas dicas dos Lençois. É coisa acachapante, mesmo. beijos da colônia

  5. Vanessa Oliveira Says:

    Lacy, que horror de prato eu não comeria de jeito algum.

    Abraços.

  6. Ana Paula Says:

    Bom, eu acho que ainda provarei e espero só me lembrar da sua descrição depois de descansar os talheres! Comeu morcela pe Portugal?


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