Archive for junho, 2010

Samba em Copenhagem

junho 19, 2010

Já tinham me dito que os dinamarqueses são os latinos da escandinávia. Mas eu sempre achei que isso era exagero. Como assim? Nórdicos de sangue quente?

Mas entre uma Tuborg e uma Calsberg e com dois gols na cabeça, até que os caras sabem fazer um bom carnaval.

O dia estava calmo em Kobenhavn. Talvez um pouco calmo demais, como acontece no Brasil antes dos jogos. Cidade meio deserta, quase ninguém nas ruas. Bandeiras nas janelas e nas portas dos restaurantes vazios.

Aí eles começaram a chegar ao cais. Vestidos com a bandeira vermelha e branca.

Quando o jogo começou, já faziam imenso barulho com suas vuvuzelas em frente ao telão montado no pier.

Gol de Camarões. Tensão nos barcos e no rosto dos passantes à beira do cais.

No intervalo, melhor ir apanhar mais umas Tuborg. Se não der para ganhar, pelo menos, ficamos felizes. Surpresa ao saber que a fotógrafa é brasileira.

Quando o árbitro apitou o final da partida a cidade começou a gritar. Uma onda vermelha tomou conta das calçadas e encheu as cadeiras dos bares e restaurantes.

Pararam o trânsito e começaram a buzinar cantando: Olê, olê, olê, olá, Danmark, Danmark.

Já é mais de meia noite e a cidade continua em festa. Buzinas, vuvuzelas e gritos bêbados por toda parte. Parece até que ganharam de goleada.

Bacalhau tem cabeça sim senhor

junho 19, 2010

Quem pensa que Bacalhau não tem cabeça, tem que ir à Noruega. Conheci, pessoalmente, a cabeça seca do famoso peixe aqui em Bergen. Mesmo antes de secar, a cabeça do bichinho é feia à beça. Ao contrário da cidade.

Bergen é a segunda maior cidade da Noruega. Foi fundada em 1070 como um entreposto comercial que recebia todo o bacalhau pescado no mar do Norte e, desde então, assumiu papel de destaque na economia do país.

O porto de Bergen se tornou, no século XIV, um dos quatro mais importantes postos comerciais da Liga Hanseática, uma aliança de cidades mercantis que estabeleceu e manteve um monopólio comercial sobre quase todo o norte da Europa e do Báltico, no final da Idade Média até o começo da Idade Moderna (séculos XIII a XVII).

Hoje, o porto de Bergen é todo voltado para o laser dos milhares de turistas que circulam entre as construções medievais de madeira do cais, o Bryggen, onde estão instalados museus, restaurantes e lojas de produtos típicos.

Inseridas na lista de Patrimônios da Humanidade, as casas de madeira coloridas de vermelho, amarelo e branco do Bryggen são testemunho da história dessa cidade, hoje alegre e repleta de jovens nas praças e gramados à beira do lago, onde festejam a chegada do verão europeu.

Vale apreciar, também, as esculturas urbanas e o funicular que conduz à montanha e nos permite uma linda vista do porto de Bergen, mesmo contra a luz.

Mas apesar de ser secular produtor de bacalhau, o pessoal de Bergen não sabe preparar o peixe. Comi no Bryggen o pior bacalhau da minha vida, num molho grosso de tomate, mais apropriado a uma macarronada. Os cozinheiros noruegueses estão precisando fazer um estágio em Portugal.

Um hotel no meio do nada

junho 17, 2010

Fica entre Gudvangen e Voss. Um dos hotéis históricos da Noruega, o Stelheim tem 124 apartamentos e existe desde 1885. Quer dizer, é o que diz o site. Na região, conta-se que quando o serviço postal permanente foi estabelecido entre Christiania (Oslo) e Bergen, em 1647, o caminho passava por Stelheim. Ali teria se estabelecido uma espécie de estalagem, onde os cavalos e os homens podiam comer, beber e descansar antes de continuar a viagem.

No alto de um penhasco, entre rochas verticais, cercado por picos nevados, a grande construção pintada de vermelho impressiona. O visual lá de cima também é de perder o fôlego.

O hotel atual foi construído em 1960 e costuma abrigar a nobreza da Noruega e da Holanda em suas férias de inverno. Várias pistas de esqui ficam por perto, quando tudo está coberto de neve. Neste final de primavera, início de verão, o hotel fica quase totalmente vazio.

Não deixa de ser interessante ter toda aquela estrutura à disposição, como se tudo fosse preparado para você. Além disso, no terreno do hotel tem um museu a céu aberto, com construções em madeira, que pretende mostrar como se vivia no local na idade média.

Sou capaz de apostar que daqui saíam todos os melhores e piores feitiços daquele tempo…

Verde e Amarelo em Bergen

junho 17, 2010

Coloquei uma bandeira do Brasil na janela do Hotel Admiral, bem no porto de Berguen. Acho que deu sorte. Ganhamos de dois a um da Coréia do Norte.

De Flam a Gudvanger pelo fjord

junho 17, 2010

Navegar por águas transparentes de intenso verde, cercadas por montanhas altíssimas com gelo em cima. Difícil ser mais bonito.

E ainda tem cachoeiras enormes e pequenas aldeias com casas coloridas.

São duas horas de barco, cansando os olhos com a beleza da paisagem.

O Sognefjord é considerado o “Rei de todos os fiordes”, não só porque é um dos mais profundos e mais largos do mundo. Tem 204 kilômetros da costa até o extremo interior e pode chegar a 1.300 metros de pronfundidade. Mas é também uma área protegida. Está incluído na lista do Patrimônio Mundial da Humanidade, da UNESCO.

Os fjordes foram esculpidos pelas diversas glaciações que ocorreram em nosso planeta nos últimos dois ou três milhões de anos. Originalmente, eram só pequenas gretas no maciço montanhoso, onde o gelo e a água foram se introduzindo pouco a pouco, até formar vales de grande profundidade. Os rios glaciais e a erosão do gelo deixaram feridas nas rochas.

As águas do degelo das montanhas fluem a grande velocidade, formando as cachoeiras. Ela penetra nas rochas, causando desmoronamentos. Em alguns locais, a água cria buracos redondos, conhecidos na região como caldeirões de gigantes (jettegryter).

Reza a lenda que esses caldeirões são usados à noite pelos Trolls para cozinhar.

Conheci uma família de Trolls

junho 15, 2010

Aqui na Noruega os Trolls não assustam as pessoas nem as perseguem pela Internet. São mansos, risonhos e brincalhões.

Diz a lenda que eles só não podem pegar sol, porque viram pedra.

Fotografei alguns mumificados para sempre. Foram pegos desprevenidos pelo sol da primavera.

De trem penhasco abaixo

junho 15, 2010

A estação ferroviária de Oslo é uma boa demonstração do que fazem aqui em termos de mistura do antigo com o moderno. De um lado, tudo novo, em aço com portas de vidro e arte moderna, próximo à passarela que liga a estação à nova Ópera House.

Do outro lado, o prédio antigo, guardado pela enorme escultura de um tigre, que não chega a assustar.

Pegamos o trem para Myrdall, Noruega adentro, em direção à costa Leste. Na estação de Myrdall, embarcamos no Flamsbana o trem histórico que percorre a ferrovia mais inclinada do mundo: de uma altitude de 865 metros, até o nível do mar, em 20 quilômetros.

Dos dois lados do trem, avistamos cachoeiras incríveis, despenhadeiros, rios e pequenas casas coloridas que parecem penduradas nas montanhas, ainda com muito gelo.

No final da aventura, a pequena aldeia de Flam, à beira do Sognefjord, um dos fjordes mais longos e profundos na Noruega, nos aguarda com um belo almoço, feito com os peixes típicos da Escandinávia.

Bacalhau, salmão, arenque. Assado, defumado, cozido ou marinado. Molhos incríveis. E tudo isso, com vinhos deliciosos e um dia que não termina nunca. Céu claro, praticamente a noite inteira.

Gêneros na proporção adequada

junho 13, 2010

Tenho que decretar minha total e absoluta admiração pela arte norueguesa, especialmente a escultura.

Com tantas andanças pelo mundo, em museus de todas as espécies, parques e exposições de artistas, nunca encontrei antes quem conseguisse colocar os gêneros em suas devidas proporções.

E viva a Noruega!

País de marinheiros

junho 13, 2010

Os noruegueses são ótimos navegadores. Herdaram dos vikings a habilidade de construir seus próprios barcos e o gosto pela aventura. A costa acidentada pelos fjords e os ótimos ancoradouros, sem dúvida contribuem para que esse povo se lance ao mar com a maior intimidade.

São lindos os barcos de madeira no porto de Oslo. São lindos os veleiros que saem do porto em procissão, com o vento de popa inflando as velas balão.

É lindo o coral de veteranos marinheiros que se apresentam no porto e  se divertem com velhas canções do mar.

Dia de quase verão em Oslo

junho 12, 2010

Neste final de primavera, quase verão, Oslo é uma cidade verde. Toda a grama e as árvores dos parques estão brotadas, assim como os jardins das casas e das praças públicas. Um cheiro de flores paira no ar.

Ao sair do hotel, a primeira impressão é de que tudo funciona muito bem. O transporte público é uma maravilha. Quase nenhum trânsito. Os carros andam por túneis subterrâneos, enquanto os bondes elétricos tomam conta das ruas, soberanos.

Em alguns lugares, fontes de água jorram entre os trilhos e se encolhem para deixar o bonde passar. Na rotunda, como na foto ao lado, a água  jorra a quase um metro de altura, provocando um efeito luminoso e refrescante na praça, no meio do tráfego.

Quando o bonde se aproxima (em azul, na foto ao lado), os jatos de água diminuem de intensidade. Quase ninguém percebe.  As águas sobem e descem o dia inteiro, ao sabor do movimento do transporte público, que é eficiente, mas caro. Uma viagem nesse bonde super silencioso e  confortável custa 42 Coroas. Mais ou menos 10 Reais. Tudo custa muito caro em Oslo.

O dia bonito e o calor levam muita gente para o cais, onde turistas e moradores se esbarram pelas lojas e restaurantes.

É intenso o movimento dos barcos de todos os tamanhos que vão e voltam de passeios a fjordes, museus e outras atrações da baía. 

A nova Ópera House, construída num aterro que permitiu a expansão da cidade para uma área antes desocupada, próxima à estação ferroviária, lembra a rampa do Congresso Nacional, em Brasília. Toda de mármore branco. Ponto obrigatório de visita para os turistas, que sobem e descem a rampa durante todo o dia.

E como é quase verão, nada melhor do que fechar o dia molhando a garganta com uma cerveja deliciosa. Afinal, conhecer uma cidade nova dá uma canseira danada.