Gêneros na proporção adequada

junho 13, 2010

Tenho que decretar minha total e absoluta admiração pela arte norueguesa, especialmente a escultura.

Com tantas andanças pelo mundo, em museus de todas as espécies, parques e exposições de artistas, nunca encontrei antes quem conseguisse colocar os gêneros em suas devidas proporções.

E viva a Noruega!


País de marinheiros

junho 13, 2010

Os noruegueses são ótimos navegadores. Herdaram dos vikings a habilidade de construir seus próprios barcos e o gosto pela aventura. A costa acidentada pelos fjords e os ótimos ancoradouros, sem dúvida contribuem para que esse povo se lance ao mar com a maior intimidade.

São lindos os barcos de madeira no porto de Oslo. São lindos os veleiros que saem do porto em procissão, com o vento de popa inflando as velas balão.

É lindo o coral de veteranos marinheiros que se apresentam no porto e  se divertem com velhas canções do mar.


Dia de quase verão em Oslo

junho 12, 2010

Neste final de primavera, quase verão, Oslo é uma cidade verde. Toda a grama e as árvores dos parques estão brotadas, assim como os jardins das casas e das praças públicas. Um cheiro de flores paira no ar.

Ao sair do hotel, a primeira impressão é de que tudo funciona muito bem. O transporte público é uma maravilha. Quase nenhum trânsito. Os carros andam por túneis subterrâneos, enquanto os bondes elétricos tomam conta das ruas, soberanos.

Em alguns lugares, fontes de água jorram entre os trilhos e se encolhem para deixar o bonde passar. Na rotunda, como na foto ao lado, a água  jorra a quase um metro de altura, provocando um efeito luminoso e refrescante na praça, no meio do tráfego.

Quando o bonde se aproxima (em azul, na foto ao lado), os jatos de água diminuem de intensidade. Quase ninguém percebe.  As águas sobem e descem o dia inteiro, ao sabor do movimento do transporte público, que é eficiente, mas caro. Uma viagem nesse bonde super silencioso e  confortável custa 42 Coroas. Mais ou menos 10 Reais. Tudo custa muito caro em Oslo.

O dia bonito e o calor levam muita gente para o cais, onde turistas e moradores se esbarram pelas lojas e restaurantes.

É intenso o movimento dos barcos de todos os tamanhos que vão e voltam de passeios a fjordes, museus e outras atrações da baía. 

A nova Ópera House, construída num aterro que permitiu a expansão da cidade para uma área antes desocupada, próxima à estação ferroviária, lembra a rampa do Congresso Nacional, em Brasília. Toda de mármore branco. Ponto obrigatório de visita para os turistas, que sobem e descem a rampa durante todo o dia.

E como é quase verão, nada melhor do que fechar o dia molhando a garganta com uma cerveja deliciosa. Afinal, conhecer uma cidade nova dá uma canseira danada.


Noite? Que noite?

junho 11, 2010

Chegamos a Oslo às 10 da noite. Quer dizer, noite mesmo, ainda não vimos. Fica assim um lusco-fusco com cara de madrugada, mas nunca escurece de verdade. E ainda nem é verão. O sol da meia noite ainda não está no horizonte.

 

Do aeroporto, foto acima, um ônibus nos levou à estação central de Oslo. Uma viagem de 40 minutos por campos verdinhos e pequenas fazendas, com casinhas lindas, de contos de fadas. Na estação, pegamos um táxi direto para o hotel. Era meia noite, hora local, e precisávamos de um banho e uma boa cama. Foram mais de 36 horas sem dormir. Os cochilos na viagem Rio-Paris não contam.

Só de manhã deu para reparar como o hotel  Gabelshus é bonitinho. Hora de sair para explorar a cidade.


De volta à cidade Luz

junho 10, 2010

Há mais de 10 anos eu não vinha a Paris. Da última vez, fiquei uma semana, na volta de Londres, depois do casamento do Geraldo. Foi nessa viagem que visitei o Parc Naturel Régional d’Armorique, na Bretanha. Lugar inesquecível. Verdadeiro ecomuseu a céu aberto.

Desta vez, só terei oito horas para circular pela Cidade Luz. A maior dificuldade é escolher o programa certo. Matar a saudade de alguns lugares me parece o mais adequado. Uma voltinha no Quartier Latin, um café numa calçada do Boulevard Saint-Germain, uma visita a qualquer livraria perto da Sorbonne, almoçar e correr de volta ao aeroporto. C’est tout.

Esbarrei no caminho com esta livraria especializada em Educação. Nova, pelo menos para mim. Boa escolha para meus dias atuais.

A praça da Sorbonne está linda. Limpa, iluminada. Uma fonte enfeita a frente da universidade. Pena que não se pode mais entrar. Funcionários uniformizados pedem identificação na porta. Só entra quem tem bons motivos. Sinal dos tempos. Tive preguiça de inventar uma desculpa. Fica para outra vez.

Comprei umas meias coloridas numa esquina da Rue de Seine e ganhei um presente inestimável: a recomendação do restaurante Chez Fernand, no número 9 da Rue Christine. Simples, despojado, delicioso.

O pâté de Campagne estava no ponto. As coquilles Saint-Jaques deliciosas. O vinho irréprochable. Um sorbet d’ abricot de sobremesa arrematou o maravilhoso repas

É sempre bom demais estar em Paris.  Da próxima vez, prometo ficar uns dias.


Livrarias

maio 1, 2010

Este post é um presentinho virtual para minha amiga Sibele Fausto, que me ofereceu um livro em 100% das vezes que nos encontramos. Dedico, também, a outros tantos amigos que gostam de livros.

Eu não consigo deixar de reparar nas livrarias que encontro pelos caminhos. Estas são fotos de livrarias muito especiais. Todas em terras onde se fala Português.

Livraria Lello & Irmão, Oporto, Portugal

Livraria Barateira, Lisboa, Portugal

Livraria Eperança, Funchal, Ilha da Madeira, Portugal

Livrarias são os poucos lugares do mundo onde penso que gostaria de ser rica.


Rua Samba, seis da tarde

agosto 19, 2009

Todos os dias é a mesma aventura.  Milhares de carros se deslocam pela Samba como tartarugas em direção ao Sul de Angola.

Luanda 2 135

A cidade cresce para o Sul.  Novos bairros residenciais. Condomínios.  Shoppings Centers.  Praias, bares e opções de lazer.

A infra-estrutura viária continua a mesma.  O angolano sofre todos os dias no trânsito.  Duas horas para chegar à cidade.  Duas horas para voltar  à casa.

Os motoristas se aborrecem.  As crianças e os caronas dormitam nos carros com ar refrigerado.  O cidadão comum sacoleja nos ônibus repletos ou nas candongas.  Espremido, encalorado.

Somente os vendedores ambulantes tiram algum proveito dos engarrafamentos.


Mwangolé

agosto 2, 2009

Os angolanos são lindos. Homens e mulheres. Esguios, altivos, elegantes. Tem um porte distinto ao caminhar à margem do trânsito, pelas ruas e estradas empoeiradas da cidade de Luanda.

Angola 009

A boa figura, no entanto, parece não lhes alimentar a vaidade. Se mostram tímidos e calados. Mesmo que estejam distantes, fogem das câmeras fotográficas. Se escondem e  gesticulam de cara feia quando por acaso percebem que estão sendo fotografados.

Luanda 153

No contato pessoal ,  o angolano cultiva o riso fácil e franco.     É afetivo e cordial.  Fala com calma e com graça  um Português gingado, bem mais parecido com o “brasileiro” do que com o “lusitano”.

Diga-lhes bom dia e eles responderão: obrigado.  Algumas vezes, diante do desconcerto do interlocutor, acrescentarão também: bom dia!

A pele dos angolanos lembra veludo marrom.  A depender da luz, as pessoas parecem feitas de brigadeiro, ou calda de chocolate. Especialmente as crianças.  Lindas.  Olhos brilhantes e cabelos divertidos, trançados com conchas ou contas coloridas.  Ao contrário dos adultos, a criançada briga para ser fotografada.

Pouso Alto e Luanda 212

Andrade, meu guia pelas ruas de Luanda, diz que o Mwangolé tem vergonha de sua condição sócio econômica, por isso, não quer a imagem de sua pobreza captada pelas câmeras dos turistas. Um desejo difícil de ser respeitado por nós estrangeiros. Viajantes ávidos pelo belo e pelo diferente.

E se você ficou em dúvida, Mwangolé é mesmo o angolano.


Cacimbo

julho 22, 2009

Luanda é bege nesta época do ano.  As pessoas parecem estar envoltas por uma bruma, como se estivessem presas dentro de uma nuvem, ou semi-escondidas por uma cortina de poeira.

Angola 003

No primeiro dia de minha estada, olhei para o céu e pensei que ia chover. O ar estava pesado. O céu carregado. Calor. Sufoco.

De maio a agosto é assim. Tudo meio desfocado. Os angolanos dão o nome de Cacimbo a esta bruma. O mesmo nome que usam para designar a  estação, considerada “seca”, somente por oposição à estação das chuvas, que vai de setembro a abril.

No período do Cacimbo tudo é úmido e pegajoso. Mas realmente não chove. 

A atmosfera fica bege. Da mesma cor da poeira que cobre as estradas, as calçadas, os carros, as pessoas.  Uma fumaça constante que rouba o brilho das fotografias.  

Luanda 018

Mesmo no bairro nobre do Alvalade, onde se percebe um esforço de arborização, mal se distinguem os contornos das casas e dos edifícios.

A névoa embaça o horizonte, a paisagem, o humor e ofusca a vida nesta cidade.


Outras versões

julho 14, 2009

Um amigo da Televisão Pública de Angola, a TPA, jura que os coqueiros da Marginal parecem estar secos porque estão em fase de adaptação ao novo terreno. Segundo ele, as palmeiras foram todas plantadas fora de Luanda, num lugar mais úmido. Ao serem transplantadas, perderam suas folhas e ficaram somente com os troncos até a readaptação. Portanto, diz, é só esperar que eles vão voltar a brotar. Pode ser. Teremos que esperar pra ver. Mas se algum biólogo angolano estiver entre os meus milhares de leitores, adoraria uma explicação verdadeiramente científica.

Outro tema de meu post anterior tem uma versão diferente: a guerra teria, sim, chegado a Luanda.

Uma amiga professora, moradora do bairro do Alvalade – um dos melhores da cidade – conta que os homens do Savimbi atacaram várias residências em Luanda, inclusive a dela, que quase foi atingida por um tiro de obuz . Por sorte, naquele dia, ela, marido e filhos, tinham se escondido no porão, tão logo começaram as explosões.

Angola já se recupera de todas essa tragédias. Se o país está em reconstrução, Luanda é um imenso canteiro de obras, que tem arranha-céus despontando a cada esquina.

Vai ficar bonito. Mas é bom que os planejadores cuidem de abrir avenidas e espalhar melhor o centro da cidade.

Angola 030

Se a capital de Angola continuar crescendo só para cima, daqui a pouco tempo, ninguém mais conseguirá se mover nos já quilométricos engarrafamentos.