Posts Tagged ‘Noruega’

Bacalhau tem cabeça sim senhor

junho 19, 2010

Quem pensa que Bacalhau não tem cabeça, tem que ir à Noruega. Conheci, pessoalmente, a cabeça seca do famoso peixe aqui em Bergen. Mesmo antes de secar, a cabeça do bichinho é feia à beça. Ao contrário da cidade.

Bergen é a segunda maior cidade da Noruega. Foi fundada em 1070 como um entreposto comercial que recebia todo o bacalhau pescado no mar do Norte e, desde então, assumiu papel de destaque na economia do país.

O porto de Bergen se tornou, no século XIV, um dos quatro mais importantes postos comerciais da Liga Hanseática, uma aliança de cidades mercantis que estabeleceu e manteve um monopólio comercial sobre quase todo o norte da Europa e do Báltico, no final da Idade Média até o começo da Idade Moderna (séculos XIII a XVII).

Hoje, o porto de Bergen é todo voltado para o laser dos milhares de turistas que circulam entre as construções medievais de madeira do cais, o Bryggen, onde estão instalados museus, restaurantes e lojas de produtos típicos.

Inseridas na lista de Patrimônios da Humanidade, as casas de madeira coloridas de vermelho, amarelo e branco do Bryggen são testemunho da história dessa cidade, hoje alegre e repleta de jovens nas praças e gramados à beira do lago, onde festejam a chegada do verão europeu.

Vale apreciar, também, as esculturas urbanas e o funicular que conduz à montanha e nos permite uma linda vista do porto de Bergen, mesmo contra a luz.

Mas apesar de ser secular produtor de bacalhau, o pessoal de Bergen não sabe preparar o peixe. Comi no Bryggen o pior bacalhau da minha vida, num molho grosso de tomate, mais apropriado a uma macarronada. Os cozinheiros noruegueses estão precisando fazer um estágio em Portugal.

Anúncios

Um hotel no meio do nada

junho 17, 2010

Fica entre Gudvangen e Voss. Um dos hotéis históricos da Noruega, o Stelheim tem 124 apartamentos e existe desde 1885. Quer dizer, é o que diz o site. Na região, conta-se que quando o serviço postal permanente foi estabelecido entre Christiania (Oslo) e Bergen, em 1647, o caminho passava por Stelheim. Ali teria se estabelecido uma espécie de estalagem, onde os cavalos e os homens podiam comer, beber e descansar antes de continuar a viagem.

No alto de um penhasco, entre rochas verticais, cercado por picos nevados, a grande construção pintada de vermelho impressiona. O visual lá de cima também é de perder o fôlego.

O hotel atual foi construído em 1960 e costuma abrigar a nobreza da Noruega e da Holanda em suas férias de inverno. Várias pistas de esqui ficam por perto, quando tudo está coberto de neve. Neste final de primavera, início de verão, o hotel fica quase totalmente vazio.

Não deixa de ser interessante ter toda aquela estrutura à disposição, como se tudo fosse preparado para você. Além disso, no terreno do hotel tem um museu a céu aberto, com construções em madeira, que pretende mostrar como se vivia no local na idade média.

Sou capaz de apostar que daqui saíam todos os melhores e piores feitiços daquele tempo…

Verde e Amarelo em Bergen

junho 17, 2010

Coloquei uma bandeira do Brasil na janela do Hotel Admiral, bem no porto de Berguen. Acho que deu sorte. Ganhamos de dois a um da Coréia do Norte.

De Flam a Gudvanger pelo fjord

junho 17, 2010

Navegar por águas transparentes de intenso verde, cercadas por montanhas altíssimas com gelo em cima. Difícil ser mais bonito.

E ainda tem cachoeiras enormes e pequenas aldeias com casas coloridas.

São duas horas de barco, cansando os olhos com a beleza da paisagem.

O Sognefjord é considerado o “Rei de todos os fiordes”, não só porque é um dos mais profundos e mais largos do mundo. Tem 204 kilômetros da costa até o extremo interior e pode chegar a 1.300 metros de pronfundidade. Mas é também uma área protegida. Está incluído na lista do Patrimônio Mundial da Humanidade, da UNESCO.

Os fjordes foram esculpidos pelas diversas glaciações que ocorreram em nosso planeta nos últimos dois ou três milhões de anos. Originalmente, eram só pequenas gretas no maciço montanhoso, onde o gelo e a água foram se introduzindo pouco a pouco, até formar vales de grande profundidade. Os rios glaciais e a erosão do gelo deixaram feridas nas rochas.

As águas do degelo das montanhas fluem a grande velocidade, formando as cachoeiras. Ela penetra nas rochas, causando desmoronamentos. Em alguns locais, a água cria buracos redondos, conhecidos na região como caldeirões de gigantes (jettegryter).

Reza a lenda que esses caldeirões são usados à noite pelos Trolls para cozinhar.

Conheci uma família de Trolls

junho 15, 2010

Aqui na Noruega os Trolls não assustam as pessoas nem as perseguem pela Internet. São mansos, risonhos e brincalhões.

Diz a lenda que eles só não podem pegar sol, porque viram pedra.

Fotografei alguns mumificados para sempre. Foram pegos desprevenidos pelo sol da primavera.

De trem penhasco abaixo

junho 15, 2010

A estação ferroviária de Oslo é uma boa demonstração do que fazem aqui em termos de mistura do antigo com o moderno. De um lado, tudo novo, em aço com portas de vidro e arte moderna, próximo à passarela que liga a estação à nova Ópera House.

Do outro lado, o prédio antigo, guardado pela enorme escultura de um tigre, que não chega a assustar.

Pegamos o trem para Myrdall, Noruega adentro, em direção à costa Leste. Na estação de Myrdall, embarcamos no Flamsbana o trem histórico que percorre a ferrovia mais inclinada do mundo: de uma altitude de 865 metros, até o nível do mar, em 20 quilômetros.

Dos dois lados do trem, avistamos cachoeiras incríveis, despenhadeiros, rios e pequenas casas coloridas que parecem penduradas nas montanhas, ainda com muito gelo.

No final da aventura, a pequena aldeia de Flam, à beira do Sognefjord, um dos fjordes mais longos e profundos na Noruega, nos aguarda com um belo almoço, feito com os peixes típicos da Escandinávia.

Bacalhau, salmão, arenque. Assado, defumado, cozido ou marinado. Molhos incríveis. E tudo isso, com vinhos deliciosos e um dia que não termina nunca. Céu claro, praticamente a noite inteira.

Gêneros na proporção adequada

junho 13, 2010

Tenho que decretar minha total e absoluta admiração pela arte norueguesa, especialmente a escultura.

Com tantas andanças pelo mundo, em museus de todas as espécies, parques e exposições de artistas, nunca encontrei antes quem conseguisse colocar os gêneros em suas devidas proporções.

E viva a Noruega!